História do Papel


O Papel

Oficialmente, foi fabricado pela primeira vez na China, no ano de 105, por Ts'Ai Lun que fragmentou em uma tina com água, cascas de amoreira, pedaços de bambu, rami, redes de pescar, roupas usadas e cal para ajudar no desfibramento. Na pasta formada, submergiu uma forma de madeira revestida por um fino tecido de seda - a forma manual - como seria conhecida. Esta forma coberta de pasta era retirada da tina e com a água escorrendo, deixava sobre a tela uma fina folha que era removida e estendida sobre uma mesa.

Esta operação era repetida e as novas folhas eram colocadas sobre as anteriores, separadas por algum material; as folhas então eram prensadas para perder mais água e posteriormente colocadas uma a uma, em muros aquecidos para a secagem. A idéia de Ts'Ai Lun, "A desintegração de fibras vegetais por fracionamento, a formação da folha retirando a pasta da tina por meio de forma manual, procedendo-se ao deságüe e posterior aquecimento para secagem", continua válida até hoje.


Século VII a XII - A Entrada na Europa - A Rota do Papel

No século VIII (ano 751), os chineses foram derrotados pelos árabes. Dentre os prisioneiros que caíram nas mãos dos árabes, estavam fabricantes de papel, que levados a Samarkanda, a mais velha cidade da Ásia, transmitiram seus conhecimentos aos árabes. A técnica de fabricar papel evoluiu em curto espaço de tempo com o uso de amido derivado da farinha de trigo, para a colagem das fibras no papel e o uso de sobras de linho, cânhamo e outras fibras encontradas com facilidade, para a preparação da pasta. A entrada na Europa foi feita pelas "caravanas" que transportavam a seda.

Melhoramentos surgidos no século X:
• Uso de moinhos de martelos movidos à força hidráulica.
• Emprego de cola animal para colagem.
• Emprego de filigrana.

A França estabelece seu primeiro moinho de papel em 1338, na localidade de La Pielle. Assim, da Espanha e Itália, a fabricação de papel se espalhou por toda a Europa. Antes da invenção da imprensa por Gutemberg, em 1440, os livros que eram escritos à mão, tornaram-se acessíveis ao grande público, exigindo quantidades maiores de papel.

Em meados do século XVII, os holandeses haviam conseguido na Europa o progresso mais importante na tecnologia da fabricação de papel. Diante da falta de força hidráulica na Holanda, os moinhos de papel passaram a ser acionados pela força dos ventos. Desde 1670, no lugar dos Moinhos de Martelos, passaram a ser utilizadas as Máquinas Refinadoras de Cilindros (Holandesa). Lentamente a Holandesa foi se impondo, complementando os Moinhos de Martelo, que preparava a semipasta para obtenção da pasta refinada e mais tarde como Pila Holandesa Desfibradora que foi utilizada na Alemanha em 1710/1720.


Os Moinhos de Martelo

Os trapos fermentados eram tratados para serem desfibrados.

Em virtude desse processo ser duro e penoso, a Holandesa começou a ser usada no início do século XVII, para decompor a fibra dos trapos. Esta "máquina refinadora" fazia em quatro ou cinco horas a mesma quantidade de pasta que um antigo moinho de martelo com cinco pedras gastava vinte e quatro horas.

No ano de 1774, o químico alemão Scheele descobriu o efeito branqueador do cloro, conseguindo com isso, não só aumentar a brancura dos papéis como também, empregar como matéria-prima, trapos mais grossos e coloridos.


Os Séculos XVII e XIX

Em 1798 teve êxito a invenção, segundo a qual foi possível fabricar papel em máquina de folha contínua. Inventada pelo francês Nicolas Louis Robert que por dificuldades financeiras e técnicas não conseguiu desenvolvê-la, cedeu sua patente, aos irmãos Fourdrinier, que a obtiveram juntamente com a Maquinaria Hall, de Dartford (Inglaterra) e posteriormente com o Engº Bryan Donkin.

Assim a Máquina de Papel Fourdrinier (Máquinas de Tela Plana) foi a primeira máquina de folha contínua que se tem notícia.

Depois da Máquina Fourdrinier se lançaram no mercado outros tipos de máquinas:
• A máquina cilíndrica.
• A máquina de partida automática.


Evolução Marcantes

Em 1806 Moritz Illig substitui a cola animal, pela resina e alúmem.

Quando a fabricação de papel ganhou corpo, o uso de matéria-prima começou a ser um sério problema: os trapos velhos passaram a ser a solução, mas com a pequena quantidade de roupa usada e com o crescente aumento do consumo de papel, os soberanos proibiram as exportações. Em face disto, os papeleiros tiveram que dedicar suas atenções aos estudos do naturalista Jakob C. Schaeffer que pretendia fazer papel usando os mais variados materiais, tais como: musgo, urtigas, pinho, tábuas de ripa, etc. Em seis volumes Schaeffer editou "Ensaios e Demonstrações para se fazer papel sem trapos ou uma pequena adição dos mesmos". Infelizmente, os papeleiros da época rechaçaram os Ensaios, ao invés de propagá-los.

Na busca para substituir os trapos, Mathias Koops edita um livro em 1800, impresso em papel de palha.

Em 1884, Friedrich G. Keller fabrica pasta de fibras, utilizando madeira pelo processo de desfibramento, mas ainda junta trapos à mistura.

Mais tarde percebeu que a pasta assim obtida era formada por fibras de celulose impregnadas por outras substâncias da madeira (lignina).

Procurando separar as fibras da celulose da lignina, foram sendo descobertos vários processos:
• Processo de pasta mecânica
• Processo com soda
• Processo sulfito
• Processo sulfato (kraft)

A introdução das novas semipastas deram um importante passo na eclosão de novos processos tecnológicos na fabricação de papel. Máquinas correndo a velocidade de 1.200m por minuto, o uso da fibra curta (eucalípto) para obtenção de celulose, a nova máquina Vertform que substituiu com vantagens a tela plana, são alguns fatos importantes.


História do Papel no Brasil

A primeira presença do papel no Brasil, sem dúvida, é a carta de Pero Vaz de Caminha, escrita logo do descobrimento de nosso país. Mas a primeira referência à produção nacional consta em um documento escrito em 1809 por Frei José Mariano da Conceição Velozo ao Ministro do Príncipe Regente D. João, Conde de Linhares: "... lhe remeto uma amostra do papel, bem que não alvejado, feito em primeira experiência, da nossa embira. A segunda que já está em obra se dará alvo, e em conclusão pode V.Exa. contar com esta fábrica...". Este documento cujo trecho extraímos do livro: O Papel - Problemas de Conservação e Restauração de Edson Motta e Maria L.G. Salgado, encontra-se no Museu Imperial.

Na amostra encaminhada com o documento constava: "O primeiro papel, que se fez no Rio de Janeiro, em 16 de novembro de 1809". É também em 1809 que tem início a construção de uma fábrica no Rio de Janeiro cuja produção, provavelmente iniciou-se entre 1810 e 1811. Ainda no Rio de Janeiro temos notícias de mais três fábricas em 1837, 1841 e, em 1852, nas proximidades de Petrópolis, foi construída pelo Barão de Capanema a Fábrica de Orianda que produziu papel de ótima qualidade para os padrões da época até a decretação de sua falência em 1874.

Ainda em 1850, o desenvolvimento da cultura do café, traz grande progresso para a então Província de São Paulo e, com a chegada dos imigrantes europeus, passa a vivenciar um grande desenvolvimento industrial gerador de vários empreendimentos.

Um deles, idealizado pelo Barão de Piracicaba, na região de Itu, pretendia criar condições para a instalação de indústrias aproveitando a energia hidráulica possível na região em função da existência da cachoeira no rio Tietê e, é neste local que, em 1889 a empresa Melchert & Cia deu início à construção da Fábrica de Papel de Salto que funciona até hoje, devidamente modernizada, produzindo papéis especiais, sendo uma das poucas fábricas do mundo fabricante papéis para a produção de dinheiro.


O Papel na Vida do Brasil

Todos conhecem o papel e valorizam sua importância para a humanidade, desde a transmissão da história e das culturas, passando pelos mais corriqueiros registros no dia-a-dia, até a literatura e as artes plásticas. Mas há aspectos sociais, econômicos e ambientais extremamente relevantes da indústria de celulose e papel que são pouco conhecidos pela opinião pública.

O eucalipto, ao lado do pinus, é a principal matéria-prima desta indústria no Brasil, que emprega 110.000 (cento e dez mil) pessoas diretamente e gera 500.000 (quinhentos mil) empregos indiretos ao longo de sua cadeia produtiva e está presente com unidades industriais e plantações em 450 municípios de 17 estados, nas cinco regiões brasileiras. Seu cultivo é realizado exclusivamente em áreas degradadas – e não em substituição a florestas nativas. Muito pelo contrário, nossa indústria preserva ativamente uma área de florestas nativas igual à que é coberta por plantios industriais de eucalipto.

O equilíbrio ambiental entre áreas de produção e reservas naturais, para preservação da flora e da fauna, constitui uma das principais preocupações do setor. As florestas cultivadas pelas indústrias são consorciadas com reservas nativas, que somam 1,7 milhão de hectares preservados, visando a promover a variedade da flora e da fauna, proteger a qualidade da água e assegurar a própria manutenção das florestas plantadas, que constituem um recurso natural e renovável.

Ao contrário de países europeus, asiáticos e da América do Norte, o Brasil produz celulose e papel exclusivamente a partir de florestas plantadas de eucalipto e pinus. E é graças a essas árvores que nossa indústria pode se orgulhar de não utilizar uma única árvore nativa para fabricar seus produtos. A partir do eucalipto e do pinus, US$ 4,7 bilhões de celulose e papel brasileiros foram exportados em 2007, gerando um saldo de divisas para o País de US$ 3,4 bilhões (8,5% do saldo da balança comercial do Brasil).

O investimento social realizado pelo nosso setor é, em média, de US$1,6 bilhão ao ano, abrangendo impostos, salários, previdência, encargos sociais, assistência médica, ação comunitária, formação profissional de seus trabalhadores, educação e cultura.

O Brasil recicla 3,5 milhões de toneladas de papel por ano, o que corresponde a 45,4% do consumo aparente nacional. Além disso, quase toda a energia elétrica consumida pelo nosso setor é auto-gerada no próprio processo de produção de celulose.

Em termos da qualidade do ar, as florestas industriais de eucaliptos e pinus do setor de celulose e papel também oferecem uma importante contribuição, pois, no processo de fotossíntese, as árvores em crescimento absorvem muito maior quantidade de gás carbônico que as adultas. Enquanto o setor de celulose e papel brasileiro possui 1,5 milhão de hectares de florestas plantadas para a produção de celulose e papel, em 394 municípios de 11 estados, outros países utilizam áreas relativamente muito mais extensas. Além disso, o plantio de florestas industriais é subsidiado pelos governos de vários desses países, algo que não acontece entre nós.

A produtividade florestal no Brasil causa inveja a outros países produtores por ter, na extensão territorial e no clima, imensas vantagens competitivas para a produção de papel e celulose a partir de florestas plantadas, pois, além de não utilizarmos árvores nativas, o eucalipto e o pinus crescem muito mais rapidamente que nos países do hemisfério norte, que lideram a produção mundial.

Confira também a História do Guardanapo.


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